onvida Radar Onvida · Saúde do trabalho no Brasil · Setembro 2026

Inteligência de dados públicos

Juntamos 26 bases que o Brasil publica separadas — e encontramos o que nenhuma delas mostra sozinha.

Mortes, internações, afastamentos do trabalho, acidentes, benefícios do INSS e efetivos das forças de segurança, lidos na mesma régua. O que está acontecendo, para onde vai até 2031 e o que pode ser feito.

49 micélulas de dados agregados lidas
26bases oficiais cruzadas
2007–26vinte anos de série histórica
12tendências projetadas até 2031

Antes de começar

Os termos que aparecem neste relatório.

Siglas de governo escondem histórias simples. Cada uma abaixo é um cadastro oficial que registra um momento da vida de quem trabalha.

Auxílio-doença (INSS)
Pago a quem fica mais de 15 dias sem poder trabalhar. Comum (B31) quando a doença não é ligada ao trabalho; acidentário (B91) quando é.
CAT
Comunicação de Acidente de Trabalho: o aviso que a empresa deve enviar ao INSS quando o trabalhador se acidenta ou adoece pelo trabalho.
FAP
Fator Acidentário de Prevenção: multiplica por 0,5 a 2 o seguro contra acidentes que a empresa paga. Setor que acidenta mais paga mais. O percentil diz quantas atividades o setor supera em acidentes.
RAIS
Cadastro anual de todos os empregos formais do país, com dias de afastamento de cada vínculo.
SUS · internações (SIH)
Registro de toda internação paga pelo SUS, com a causa e a cidade onde o paciente mora.
NR-1
Norma do Ministério do Trabalho que obriga a empresa a identificar e gerir os riscos do trabalho — incluindo os psicossociais (estresse, assédio, sobrecarga).
Causas (CID)
Classificação das doenças. Aqui aparecem: mentais (depressão, ansiedade), osteomusculares (coluna, tendões), circulatórias (coração, AVC), endócrinas (diabetes, obesidade).
Inativo por ativo
Quantos militares na reserva ou reformados existem para cada militar em serviço. 0,63 = quase 2 inativos para cada 3 ativos.
Mínimo de 5 casos
Nenhum número aqui tem menos de 5 pessoas por trás. Quando o dado seria menor, aparece como "abaixo de 5", nunca como zero.

Como lemos o futuro

Traçamos a linha que melhor acompanha os anos já observados. A faixa sombreada mostra onde 9 em cada 10 resultados cairiam se o padrão continuar.

Quando uma regra muda — uma nova turma de policiais, um novo jeito de conceder benefício — a linha deixa de valer. Por isso cada previsão diz qual dado a derrubaria. Só projetamos séries com pelo menos 5 anos ou 18 meses de histórico.

O que lemos

Cada base conta um pedaço. Nenhuma conta a história.

O acidente fica no INSS, o afastamento na RAIS, a internação no SUS, a morte no SIM e o efetivo nas folhas de pagamento, cada um com calendário, geografia e códigos próprios. Alinhamos tudo por setor, ocupação, causa, estado e ano.

SIMMortes por causa e ocupação2010–2024 · 14,5 mi células
SIH/SUSInternações hospitalares24 meses · 18,5 mi células
RAISEmpregos, afastamentos, mortes no emprego2024 · 8,4 mi células
SINANDoenças e acidentes notificados como do trabalho2007–2020 · 3,8 mi células
INSS · CATAvisos de acidente de trabalho2026 · 1,5 mi células
INSS · BenefíciosAuxílios concedidos por causa2017–2026
FAPFator de acidente por setor2021–2026
ANSQuem tem plano de saúde, por município2026 · 1,4 mi células
CAGEDAdmissões e demissões2026
VIGITEL · PNSObesidade, pressão, álcool, cigarro2019–2024
SINESP · FBSPMortes e suicídios de policiais2015–2026
CGU · MilitaresAtivos, reserva e reforma das Forças2013–2026
SIAPE · AposentadosServidores federais2013–2026
Folhas PE · MG · SPEfetivos estaduais2012–2026
CNJPessoal do Judiciário2009–2025
IBGEPopulação por idade, sexo e município2010–2026
Nenhum dado de pessoa: só totais com no mínimo 5 casos Toda taxa diz sobre quem e sobre qual ano Toda previsão com faixa e com o dado que a desmentiria

Os cinco grandes achados

O que está acontecendo, para onde vai e o que fazer.

Cada achado segue a mesma ordem: de onde vem o dado, o número e sua comparação, o que ele significa, a previsão até 2031 e o que pode ser feito.

1 · Segurança pública

De onde vem: o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Ministério da Justiça contam, todo ano, os policiais militares e civis em serviço ativo que morreram por violência (em serviço ou de folga) e os que tiraram a própria vida.

O policial brasileiro já morre quase tanto por suicídio quanto por violência.

110 suicídios em 2025

contra 139 mortes violentas no mesmo ano. Em 2017 eram 74 suicídios e 383 mortes violentas.

As mortes violentas caíram 64% em oito anos, e isso é uma boa notícia. Os suicídios, porém, subiram 49%. Em 2017 havia cinco mortes violentas para cada suicídio; em 2025, 1,3. Em sete estados, somando 2021–2025, os suicídios já passaram as mortes violentas.

Suicídio já supera a morte violenta: MG · RS · GO · SC · DF · MS · ACSP empatado: 30 e 30 em 2025

Policiais da ativa (PM + PC), Brasil

Mortes violentas × suicídios por ano

Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (FBSP). Estados: SINESP, 2021–2025 somados; diferença confirmada por teste estatístico.

20271,0suicídio para cada morte violenta (0,84–1,18)
20291,16(0,97–1,34)
20311,31(1,11–1,51)

Previsão para a PM no país: o empate nacional chega por volta de 2027. O que derrubaria a previsão: a proporção de 2026 ficar abaixo de 0,77 — ela recuou em 2024 e 2025.

O que pode ser feito

  • Contar o que vem antes da morte. Cada corporação passa a registrar, todo mês, afastamentos por saúde mental e tentativas de suicídio. Hoje o dado público só conta óbitos. Quem: secretarias de segurança.
  • Apoio psicológico fora da cadeia de comando, com sigilo, e acompanhamento obrigatório depois de confrontos e mortes de colegas. Quem: comandos das PMs e PCs.
  • Começar pelos sete estados onde o suicídio já passou a morte violenta, e usar SP (empatado) como teste de prevenção antes da virada. Quem: Ministério da Justiça, com os estados.
2 · Previdência

De onde vem: o INSS publica quantos auxílios-doença concedeu por ano e por causa. Aqui estão os concedidos por transtornos mentais — depressão, ansiedade, burnout e outros.

Afastamentos por transtorno mental triplicaram, e a conta ficou com o INSS, não com as empresas.

530.681 auxílios em 2025

contra 169.107 em 2017 — 3,1 vezes mais. Já são 13,6% de todos os auxílios-doença comuns.

Quando o INSS reconhece que o adoecimento veio do trabalho, o benefício vira acidentário e pesa no FAP, o seguro que a empresa paga. Isso aconteceu em só 2,9% dos casos de 2025, contra 5,1% em 2017. E num mês típico de 2026 chegaram ao INSS 9 benefícios acidentários por transtorno mental para cada aviso de acidente (CAT) que as empresas enviaram pela mesma causa.

Atenção: parte do salto de 2024–2025 pode vir de mudança na forma de conceder benefícios, e não só de mais doença. Por isso a previsão ao lado tem dois cenários.

Auxílios-doença comuns por transtorno mental

Brasil, por ano · 2020–2021 em tom claro (regras especiais da pandemia)

Fonte: INSS, concessões anuais por capítulo da CID (B31). CAT: INSS, arquivos de jan–jul/2026.

2031 · se for tendência825 mil+12% ao ano
2031 · se foi mudança de regra605 mil+3% ao ano
202815%de todos os auxílios comuns

Em nenhum dos dois cenários os afastamentos dobram até 2030. O que decide entre eles: o crescimento de 2026. Perto de +10% indica tendência; perto de +3%, mudança de regra.

O que pode ser feito

  • Aplicar a NR-1 psicossocial primeiro onde mais se adoece: bancos, teleatendimento, saúde e escritórios (achados 6 e 7). Quem: empresas, com fiscalização do Ministério do Trabalho.
  • Publicar os benefícios com a forma de concessão (perícia presencial ou análise de documentos) e com o setor do empregador. Só assim se separa doença nova de mudança de regra. Quem: INSS e Ministério da Previdência.
  • Programas de retorno ao trabalho desde o início do afastamento, com acompanhamento da empresa e do INSS. Quem: empresas e INSS.
3 · Saúde de quem trabalha

De onde vem: todas as internações pagas pelo SUS de pessoas de 25 a 54 anos — a idade de trabalhar — por quatro grupos de doenças crônicas: coração, diabetes e obesidade, coluna e articulações, saúde mental.

Internações crônicas em idade de trabalhar crescem quase 7% ao ano — e não é o envelhecimento.

+6,7% em um ano

844.886 internações (jul/2025–jun/2026) contra 792.143 nos 12 meses anteriores. A população dessa idade cresceu só 0,8%.

Coluna e articulações cresceram 11% e diabetes e obesidade, 10%. No Sul, onde já se interna mais que em qualquer região (1.439 por 100 mil adultos contra 865 no Brasil), coluna e articulações sobem 14,6% ao ano.

O cruzamento que muda a leitura: aplicando a pirâmide de idades do IBGE, o envelhecimento da população explica menos de um décimo desse aumento. A causa está em outro lugar, e o SUS registra a profissão do paciente em só 2 de cada 10 mil internações.

Quanto cada tipo de internação cresceu em um ano

Pessoas de 25–54 anos, SUS, descontado o efeito do mês do ano

Fonte: SIH/SUS (24 meses) × IBGE, população por idade. O efeito do envelhecimento aplica as taxas de cada idade à população projetada.

2027916internações por 100 mil (905–927)
20291.026(996–1.058)
20311.150Sul: 2.096

Se o ritmo continuar, o Brasil passa de 1.000 internações por 100 mil em 2028–2029, e o Sul de 2.000 em 2030. Dois anos de dado são pouco: se 2026–27 crescer menos de 2%, foi um salto pontual.

O que pode ser feito

  • Descobrir a causa antes de gastar com leitos: registrar a profissão e o setor do paciente na internação, para saber se a onda de coluna no Sul vem do trabalho. Quem: Ministério da Saúde.
  • Ergonomia e fisioterapia preventiva na indústria que mais adoece — frigoríficos, alimentos, borracha e plástico (achado 7) — antes da internação. Quem: empresas e saúde do trabalhador (CEREST).
  • Rastrear pressão e diabetes em adultos que trabalham, na atenção primária e no exame periódico da empresa. Quem: municípios e empresas.
4 · Forças Armadas

De onde vem: o Portal da Transparência (CGU) publica, todo mês, quantos militares estão na ativa e quantos estão na reserva ou reformados — incluídos os reformados por problema de saúde.

Cada vez menos militares na ativa sustentam mais militares inativos.

0,63 inativo por ativo

era 0,585 em dezembro de 2021. Na Marinha já é 0,80: quatro inativos para cada cinco ativos.

De dezembro de 2021 a junho de 2026 a reserva e a reforma ganharam 7.448 pessoas, enquanto o efetivo ativo perdeu cerca de 7.800. A proporção subiu todos os anos. Para o orçamento, isso quer dizer uma folha de inativos crescendo sobre uma base ativa que encolhe.

O que achamos no próprio arquivo oficial: a conta dos reformados por saúde não fecha. O total caiu 295 por ano desde março de 2025, mas entram só 200 a 365 por ano. Qualquer planejamento feito sobre esse número herda o erro.

Inativos (reserva + reforma) para cada militar da ativa

Observado até jun/2026 · faixa = previsão até 2031

Fonte: CGU — Portal da Transparência, militares ativos e reserva/reforma (48 meses).

20270,64(0,63–0,65)
20290,65(0,64–0,66)
20310,67Marinha 0,90

As Forças chegam a 0,70 entre 2031 (se o efetivo ativo continuar caindo) e 2035 (se estabilizar). O número a acompanhar é o efetivo ativo de dezembro.

O que pode ser feito

  • Planejar pessoal com o limite de 0,70 à vista e acompanhar mensalmente a Marinha, que chega a 0,90 em 2031. Quem: Ministério da Defesa e comandos.
  • Conferir o cadastro de reformados por saúde contra óbitos e reclassificações antes de usá-lo no orçamento. Quem: comandos e CGU.
  • Publicar licenças médicas por causa e por região militar, protegendo a identidade com o mínimo de 5 casos. É o sinal que vem antes da reforma por saúde. Quem: comandos, via Lei de Acesso à Informação.
5 · Notificação de acidentes

De onde vem: comparamos os avisos de acidente (CAT) que as empresas enviaram em 2026 com os afastamentos por acidente ou doença do trabalho que as mesmas empresas declararam na RAIS.

Boa parte dos acidentes de trabalho nunca é comunicada — e o problema se concentra em alguns estados e setores.

0,06 no Piauí

avisos de acidente para cada afastamento por trabalho. No Brasil, 0,80. Em SP, PR e RJ, cerca de 0,85.

Nove estados ficam abaixo de 0,35: PI, AP, AL, RN, AC, TO, AM, SE e DF. Entre as grandes atividades, o aviso quase não existe no ônibus urbano (0,05), na criação de gado (0,06), em mercearias (0,10) e no teleatendimento (0,14).

Um mito que caiu: a explicação comum é que setores com muita demissão avisam menos. Nos dados não aparece relação nenhuma entre rotatividade e subnotificação (correlação de −0,07 em 39 setores).

Benefícios acidentários para cada aviso de acidente, por causa

Acima de 1 = o INSS reconhece mais casos do que as empresas avisam

Fonte: INSS — CAT jan–jul/2026 (média mensal) × benefícios acidentários (B91) de jul/2026, por causa.

Previsãonão há série
Dados de CAT6meses publicados
Estados sem total13de 27 (jan/2026)

Aqui não dá para prever, e esse é o próprio problema: a CAT pública tem poucos meses e perde totais estaduais. O FAP, que tem série, está no achado 7.

O que pode ser feito

  • Cruzar automaticamente benefício acidentário sem aviso de acidente e notificar a empresa. O INSS já tem os dois lados. Quem: INSS e Ministério do Trabalho.
  • Fiscalização dirigida aos nove estados abaixo de 0,35 e ao transporte urbano, à pecuária e ao teleatendimento. Quem: auditores-fiscais do trabalho.
  • Publicar a CAT com teste de totais, de modo que a soma dos estados bata com o total do país. Quem: Dataprev e INSS.

Mais achados

Oito leituras que só o cruzamento revela.

Menores que os cinco grandes, mas cada uma aponta um lugar concreto onde agir.

6 · Bancos

Quem trabalha em banco é quem mais se afasta por doença.

298,6

afastamentos por doença a cada 1.000 empregos em serviços financeiros (RAIS 2024) — o dobro da média do país (148,1) e o maior entre as 40 atividades que mais empregam. Acidentes quase não existem: 1,5 por 1.000.

O que fazer: gestão de riscos psicossociais da NR-1 (metas, pressão, assédio) como prioridade no setor financeiro.

7 · Indústria

Borracha, plástico e metal pioram nos acidentes em tudo ao mesmo tempo.

88,3

é o percentil de acidentes (FAP) da fabricação de borracha e plástico em 2026: acidenta mais que 88% das atividades do país, contra 84,7% em 2021. Produtos de metal pioram na frequência, na gravidade e no custo dos acidentes. Têxteis passaram a fazer parte do quarto que mais acidenta.

O que fazer: fiscalização guiada pela piora no FAP, não pelo número de CATs; revisão de máquinas e jornadas nesses setores.

8 · Teleatendimento

Nos call centers, quase ninguém se acidenta — mas muitos adoecem.

53 para 1

Para cada trabalhador de teleatendimento afastado por acidente ou doença reconhecida como do trabalho, 53 se afastam por doença comum. Na maioria das grandes atividades essa proporção fica entre 10 e 25 para 1. O que afasta não é o acidente, é o adoecimento que ninguém registra como do trabalho.

O que fazer: é exatamente o risco que a NR-1 psicossocial manda medir; pausas, metas e ruído entram no inventário de riscos.

9 · Coluna e articulações

Problemas osteomusculares viraram a maior causa de afastamento.

1,0 milhão

de auxílios-doença por coluna, tendões e articulações em 2025, contra 383 mil em 2019 (2,6 vezes mais). Hoje superam lesões e fraturas (826 mil) e transtornos mentais (531 mil). A mesma subida aparece nas internações do SUS no Sul (achado 3).

O que fazer: análise ergonômica do posto de trabalho e fisioterapia precoce; hoje a maioria só chega ao sistema quando já é afastamento.

10 · Polícia de Pernambuco

Sem novas turmas, a PM de PE volta a encolher em quatro a sete anos.

4,35%

do efetivo sai por ano, em média (2012–2025). A PM de PE foi de 19.906 policiais (2015) a 15.735 (2025) e subiu para 19.328 com as turmas de 2025–26. Sem novas turmas, volta ao nível de 2024 entre o fim de 2030 e 2033, enquanto a população adulta cresce 62 mil pessoas por ano.

O que fazer: calendário de concursos pela taxa de saída, não por decisão pontual (ver previsão no painel).

11 · Polícia de Minas

Minas depende cada vez mais de policiais aposentados.

+76%

de policiais militares aposentados readmitidos em cinco anos: de 1.397 (jan/2021) para 2.456 (mar/2026), cerca de 185 a mais por ano. No ritmo atual, chegam a ~3.400 em 2031.

O que fazer: tratar a readmissão como sinal de falta de efetivo e planejar a reposição com ela à vista.

12 · Planos × SUS

Onde menos gente tem plano, o SUS de adultos acelera.

+9 a +12%

ao ano nas internações crônicas de 25–54 anos em Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Pará, estados onde só 10% a 20% da população tem plano (Brasil: 24,8%). Em Serra Talhada (PE), só 4,4% têm plano e o SUS interna 38 adultos por 1.000 habitantes, 46% acima da média do estado.

O que fazer: reforçar a atenção primária para doenças crônicas nesses municípios antes que vire internação.

13 · Servidor público

Mais da metade dos servidores está invisível para as estatísticas de afastamento.

57%

dos empregos públicos (5,6 milhões de 9,8 milhões) estão em 17 estados que declaram menos de 5 afastados por doença a cada 100 servidores. No setor privado, são 9 a 21. Onde o estado declara, como no Espírito Santo, o servidor se afasta mais que o privado (30,7 contra 20,5 a cada 100).

O que fazer: cada estado publicar as licenças médicas dos seus servidores por causa, com o mínimo de 5 casos por órgão.

Painel de previsão

Seis curvas até 2031, e o que muda cada uma.

Pontos = o que já aconteceu. Linha e faixa = para onde vai se o padrão continuar. Linha tracejada dourada = o ponto em que a situação muda de natureza.

Suicídio × morte violenta na PM

Suicídios para cada morte violenta, Brasil

Empate nacional por volta de 2027; em 2031, 1,3 suicídio por morte violenta.

Muda a curva: vigilância e apoio psicológico precoces. A queda de 2024–25 pode ser o começo da virada.

Afastamentos por saúde mental

Auxílios-doença comuns por ano, dois cenários

Entre 605 mil e 825 mil em 2031; dobrar só depois de 2033.

Muda a curva: NR-1 psicossocial nos setores de maior afastamento; retorno ao trabalho precoce.

Internação crônica, 25–54 anos

Internações SUS por 100 mil, Brasil e Sul

Brasil passa de 1.000 em 2028–29; Sul chega a 2.000 em 2030.

Muda a curva: prevenção osteomuscular e controle de diabetes na idade ativa.

Inativos por ativo nas Forças

Total das Forças e Marinha

Total 0,67 em 2031; Marinha 0,90. O limite de 0,70 chega entre 2031 e 2035.

Muda a curva: o tamanho do efetivo ativo, uma decisão de política de pessoal.

Acidentes por setor (FAP)

Percentil de acidentes: quanto maior, mais acidenta

Borracha e plástico chegam a 92; têxteis a 84; associações sobem de 34 para 58. TI cai para perto de zero.

Muda a curva: fiscalização e engenharia de segurança nos setores que sobem.

PM de Pernambuco sem novas turmas

Efetivo se a saída anual for 2,75% ou 4,35%

Volta ao nível de 2024 (15,8 mil) entre 2030 e 2033.

Muda a curva: turmas de 530 a 840 policiais por ano só para repor quem sai.

O que não vai acontecerOs afastamentos por saúde mental não dobram até 2030 em nenhum cenário central: ficam entre 1,1 e 1,4 vez o nível de 2025.
Uma previsão que caiuA tendência de queda da PM de Pernambuco foi desmentida pelas turmas de 2025–26. Mostramos isso em vez de esconder.
O que não dá para preverSuicídio militar, licenças médicas das Forças e afastamento de servidores: não existe série pública.

Do outro lado da mesa

Três leituras para quem governa.

O mesmo conjunto de dados lido pela pergunta de cada gestor. Cada frase diz de onde vem o número e com o que ele está sendo comparado.

Mesa 1

Comando das Forças

"Como a força está se desgastando, e onde?"

  • Reforma por saúde é quando o militar deixa o serviço por incapacidade. Foram 200 a 365 por ano em 2020–2024, cerca de 1 para cada 1.000 militares da ativa. A maior taxa medida é a dos oficiais da Marinha (3,86 por 1.000), mas cada Força classifica de um jeito.
  • Onde a tropa vive pesa. Na área da 5ª Região Militar (PR e SC), o SUS interna 1.331 adultos de 18–54 anos por 100 mil ao ano por doenças crônicas — três vezes a 12ª Região, na Amazônia ocidental (435).
  • Os mais jovens morrem de causas externas. Dos 31 óbitos de praças do Exército de 18 a 24 anos registrados em 2024, 25 foram por acidentes, violência ou lesões — a base pública não separa essas causas.
Mesa 2

Governos estaduais

"Minha polícia, meus servidores, meus hospitais."

  • Efetivo policial. A PM de Pernambuco tinha 19.906 policiais em 2015 e 15.735 em 2025 — 21% a menos — enquanto a população adulta cresceu. As turmas de 2025–26 recuperaram parte, mas saem 4,35% ao ano.
  • Afastamento de servidores. A RAIS quase não registra afastamento de servidor estadual na maioria dos estados. Onde registra, como no Espírito Santo, 30,7 a cada 100 servidores se afastaram por doença em 2024, contra 20,5 no setor privado do mesmo estado.
  • Dependência do SUS. Em Serra Talhada (PE, 99 mil habitantes), só 4,4% têm plano de saúde e o SUS interna 38 adultos de 25–54 anos a cada 1.000 habitantes por ano, 46% acima da média do estado (26).
Mesa 3

Governo federal

"Onde a regulação rende, e onde está a conta?"

  • Onde a NR-1 psicossocial rende mais. No teleatendimento (call centers), para cada trabalhador afastado por acidente ou doença do trabalho, 53 se afastam por doença comum; na maioria das grandes atividades são 10 a 25. Quase não há acidente: o que afasta é o adoecimento.
  • Onde a fiscalização rende mais. No FAP, o índice de acidentes que ajusta o seguro pago pelas empresas, as fábricas de borracha e plástico e de produtos de metal pioram ao mesmo tempo na frequência, na gravidade e no custo dos acidentes (2021–2026).
  • Onde está a conta. Os auxílios-doença do INSS por coluna, tendões e articulações foram de 383 mil (2019) a 1,0 milhão (2025), 2,6 vezes mais — hoje a maior causa, à frente de fraturas e de saúde mental.

Agenda de soluções

Seis problemas, quem pode agir e como saber se funcionou.

O sinal de sucesso é um número que já existe nas bases públicas, para que qualquer um possa acompanhar.

ProblemaAçãoQuemSinal de que funcionou
Suicídio de policiais igualando a morte violentaRegistro mensal de afastamentos por saúde mental e de tentativas; apoio psicológico fora da cadeia de comandoSecretarias de segurança, comandos, Ministério da JustiçaProporção nacional da PM abaixo de 0,74 (nível de 2025) em 2027
Afastamentos por saúde mental triplicandoNR-1 psicossocial nos setores de maior afastamento; retorno ao trabalho precoce; publicar a forma de concessãoEmpresas, Ministério do Trabalho, INSSCrescimento anual abaixo de +3% e parcela acidentária parando de cair
Internações crônicas subindo 7% ao anoRegistrar a profissão na internação; prevenção osteomuscular e rastreio de diabetes em adultosMinistério da Saúde, municípios, empresasJanela 2026–27 crescendo menos de +2%
Acidentes não comunicadosCruzamento automático benefício × CAT; fiscalização nos 9 estados abaixo de 0,35INSS, auditores-fiscais do trabalhoRazão CAT por afastamento acima de 0,5 nesses estados
Base ativa das Forças encolhendoPlano de pessoal com o limite de 0,70; conferência do cadastro de reformadosMinistério da Defesa, comandosEfetivo ativo de dezembro estável ou em alta
Dados que ninguém enxergaPublicar SINAN 2021–2024, setor no benefício, profissão na internação e licenças de servidoresMinistérios da Saúde e da Previdência, estadosIndicadores "no escuro" (abaixo) caindo de 100%

Onde o dado público para

O mais importante é o que nenhuma base enxerga.

Medimos, indicador por indicador, que parte do risco está no escuro. A pergunta que mais vale — o afastamento de hoje antecede o benefício, a invalidez ou a morte de amanhã? — cai exatamente nesses buracos.

Quanto de cada indicador está no escuro

Parte sem o dado necessário para gerir o risco

Fonte: auditoria de limites da camada de referência Onvida sobre as bases acima (setembro/2026).

A tese

Números soltos não mostram o caminho de uma pessoa.

O Brasil publica o acidente, o afastamento, o benefício, a internação e a morte como cinco contagens sem ligação. Todo achado deste relatório vale para um setor ou um estado. Nenhum vale para o caminho de uma pessoa.

O próximo salto é o registro individual consentido, ligado entre trabalho, benefício e atendimento, e publicado somente como total com no mínimo 5 casos. Com ele se responde:

  • quais afastamentos antecedem a crise de saúde mental na polícia;
  • se o salto dos afastamentos mentais é doença nova ou mudança de regra;
  • se a onda de problemas de coluna no Sul vem do trabalho ou da população.

É uma decisão de desenho institucional, feita com consentimento e sem expor ninguém. Nada neste relatório vem de dado individual.

Como chegamos aqui

Rigor que aguenta alguém conferindo a base.

Um número sem comparação não é achado. Uma previsão sem teste não é previsão. E um erro nosso, quando encontrado, entra no relatório.

5Casos no mínimoNenhum total com menos de 5 pessoas. Dado menor aparece como "abaixo de 5", nunca como zero.
9 em 10Faixa em toda previsãoCalculada da variação da própria série, não de opinião.
12Testes de falsificaçãoCada tendência diz qual dado a derrubaria. Uma já caiu e está no relatório.
7Correções publicadasRevisamos nossos próprios relatórios e registramos cada erro com a consulta que o prova.